segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Encosta-te


Encosta-te

Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.


Chegada da guerra,
fiz tudo para sobreviver em nome da terra,
no fundo para te merecer, recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.


Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi , hei-de inventar contigo
sei que não sei às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem junto à mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba, que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada, porque arrasei o que não quis
em nome da estrada, onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
replantar a árvore da vida, encosta-te a mim.



[Primórdio]

Um comentário:

Dew disse...

Primórdio,

Poema arrepiantemente delicioso.

"Eu venho do nada, porque arrasei o que não quis
em nome da estrada, onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
replantar a árvore da vida, encosta-te a mim."

UIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII